... vou sofrer em Paris tomando champagne.
Essa foi o Pegoraro quem me disse há um milhão de anos e que se fez presente na memória esses dias. Sim, é cruel usar essa expressão, eu sei. Mas não pude evitar.
Sobre aquelas saídas de ar do metrô famosas pelo vestido e pernocas de Monroe, dormia um moço de uns trinta e poucos anos. Enrolado em um saco de dormir verde musgo, gorrinho na cabeça e uma mala surrada. Foi a primeira pessoa que eu vi nessa situação em Bonn. E achei nada feliz. Com o frio dos próximos dias nem consigo medir o que essa gente pode passar.
E falando em pobreza, mais comum - mas nem tanto assim - é ver homens e jovens sentados com seus cachorros ou copos de café a pedir um trocado no centro histórico da cidade.
E falando em mendicância, mas não em pobreza, tem um guri (leia-se uns 20 anos) que todos os dias vem com a mesma cara e a mesma conversa a abordar os transeuntes pertinho da Hauptbahnhof (estação central). Ele tá sempre rasoavelmente bem vestido, com uma cara de desespero e fala rápido. Pelo pouco que pude entender, diz que precisa de um ou dois euros (!!) para pagar a volta pra casa. O sem noção já me parou umas quatro vezes, não dei grana em nenhuma. E agora, olho pra cara do indivíduo e rio. Porra! Pelo menos se liga em quem tu já abordou umas 10 mil vezes, sabe...
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quinta-feira, 30 de outubro de 2008
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